Pesquisadores identificaram 1.869 produtos alimentícios com edulcorantes: níveis de exposição são considerados seguros

Trabalho da Unicamp fez amplo um levantamento sobre os compostos utilizados para substituir o açúcar em produtos diet, light ou zero açúcar no Brasil.

Nutrição na medida

14/11/2022 - Estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (FEA-Unicamp) avaliou a presença de edulcorantes de alta intensidade, que são aqueles com baixo ou nenhum conteúdo energético, em produtos que estão na mesa dos brasileiros. Com base na lista de ingredientes informada nos rótulos, foram identificados 1.869 alimentos com essas substâncias, que servem para substituir o açúcar em produtos diet, light ou zero açúcar, e a exposição delas pela população pode ser considerada segura, conforme os parâmetros da pesquisa.

Publicado na revista Food Research International, o estudo foi conduzido em duas etapas. Na primeira, foram avaliados os rótulos. Na segunda, foi estimada a exposição da população brasileira aos edulcorantes com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No cruzamento de dados do consumo alimentar da população e da presença de edulcorantes nos alimentos consumidos, como doces, biscoitos, cereais, chás, cafés, entre outras comidas e bebidas, foi observado que a exposição da população às substâncias não ultrapassa os valores considerados seguros por órgãos internacionais, como a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) e a OMS (Organização Mundial da Saúde).

“Os cálculos sobre a exposição foram realizados considerando o limite máximo de edulcorantes permitidos pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] para cada tipo de produto. Como as concentrações dos edulcorantes nos alimentos são geralmente menores que os limites máximos permitidos, é provável que a situação seja ainda mais confortável”, afirma a coordenadora do estudo, a professora Adriana Pavesi Bragotto, do Departamento de Ciência de Alimentos e Nutrição da FEA-Unicamp.

Segundo ela, “os resultados do estudo são coerentes com o que tem sido observado internacionalmente, tanto no que diz respeito aos tipos de edulcorantes no mercado quanto à segurança com que eles são consumidos, já que estão em concordância com os parâmetros recomendados nas avaliações de risco da FAO e da OMS”.

Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a pesquisa apontou que cerca de 50% das declarações da presença nos rótulos dos edulcorantes usados nos produtos alimentícios eram referentes a duas substâncias: sucralose (26,8%) e acesulfame-K (21,7%). Os demais edulcorantes encontrados foram aspartame (13,7%), glicosídeos de esteviol (13,0%), ciclamato de sódio (12,3%), sacarina (10,6%), taumatina (1,5%), neotame (0,3%) e advantame (0,1%).

Solução transitória – Os edulcorantes de alta intensidade, também chamados de edulcorantes de baixa ou nenhuma caloria, são utilizados como forma de manter o gosto adocicado dos alimentos sem acrescentar energia. Sendo assim, são utilizados em dietas de pessoas que buscam ou precisam perder peso e, no caso de restrições alimentares, como diabetes, por exemplo, têm grande importância no controle da doença.

Para Bragotto, o uso de edulcorantes aprovados pela Anvisa é uma alternativa para reduzir o consumo de açúcar, que está associado ao surgimento de doenças crônicas não-transmissíveis, como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares. “Existe uma preocupação global com o consumo de açúcar que, segundo estimativas, está em níveis mais elevados que o ideal. No entanto, uma transição para uma sociedade que aceite alimentos menos doces pode demorar toda uma geração. Por isso os edulcorantes podem ser uma alternativa no momento”.

O assunto, contudo, levanta polêmicas dentro da academia e há quem defenda que o uso dos edulcorantes não deve ser incentivado como forma de reduzir o açúcar na alimentação.

Na pesquisa da Unicamp, não foi possível apontar se o número de produtos com edulcorantes tem crescido no Brasil nos últimos, devido às diferentes abordagens de amostragem utilizadas em estudos anteriores. “Daqui a alguns anos pretendemos refazer o estudo para acompanhar as tendências de uso desses aditivos e verificar possíveis alterações nos níveis de exposição da população, a exemplo do que acontece nos outros países”, afirma.

Atenção aos limites – Segundo Bragotto, diversas entidades internacionais já confirmaram que os edulcorantes são substâncias seguras, desde que estejam de acordo com os limites recomendados pelas agências regulatórias. No caso da sucralose, por exemplo, foi apontado pelo estudo que para exceder a ingestão aceitável de 15 miligramas por quilograma de peso corporal diário, uma pessoa de 60 kg teria que consumir mais de 2,25 quilos de chocolate ou 3,6 litros de refrigerante, todos os dias, considerando que os edulcorantes fossem utilizados nesses alimentos no limite máximo permitido.

Já no caso do ciclamato, o limite seguro poderia ser ultrapassado caso o consumo de refrigerante fosse maior que 880 mL, assumindo-se as mesmas considerações. Veja nesta matéria do Alimentos sem Mitos quais os limites considerados aceitáveis para todos eles.

Embora sejam veiculadas informações de que os edulcorantes possam provocar efeitos adversos como obesidade, diabetes e até mesmo câncer, não existem evidências científicas que confirmem essas associações.


compartilhar

Comentários