Descoberta de novos alérgenos pode facilitar diagnóstico de alergia a frutas

Você sabia?

O diagnóstico de alergia alimentar é feito através da associação da história clínica detalhada, de um exame físico e de testes alérgicos. “A história clínica permitirá ao médico determinar quais substâncias entrarão no teste alérgico. No caso de crianças, é muito importante que os pais informem ao médico quais os alimentos ingeridos rotineiramente e eventualmente”, afirma Gabriela Justamante Händel Schmitz, que está realizando uma parte de seu doutorado sobre alergias alimentares na Universidade de Nottingham (Reino Unido), orientada pelos professores João Roberto Oliveira do Nascimento, do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC - Food Research Center), e Marcos Alcocer.

A maioria das respostas alérgicas é mediada pelas imunoglobulinas E (IgEs). As IgEs podem ser detectadas através de testes in vitro (como ELISA, ImmunoCap e microarrays), ou por meio de testes in vivo, que podem ser cutâneos (skin prick test – SPT) ou teste de provocação oral (TPO).

“Normalmente, o primeiro teste a ser feito é o SPT, que pode ser realizado no antebraço. O resultado é obtido em 15, 20 minutos. O resultado positivo é indicado pela formação de uma pápula vermelha, semelhante a uma picada de mosquito. Essa reação significa presença de IgE específica ao alimento testado”, esclarece Gabriela.

No Brasil, é comercializado o ImmunoCap ISAC (Immuno-Solid Phase Allergen Chip), que compreende um arranjo de proteínas em pequenas placas de vidro ou de materiais sintéticos, com micro perfurações de 100-200 mm de diâmetro. Os alérgenos ficam imobilizados no interior dos micro orifícios e, sobre eles, é aplicado o soro do paciente, para posterior incubação e detecção das IgEs.

“A plataforma atual do ISAC permite a detecção simultânea de 112 alérgenos diferentes, de 51 origens distintas, utilizando quantidade mínima de alérgenos e soros, permitindo que muitas amostras sejam analisadas a um baixo custo.” Mas, segundo a pesquisadora, é de grande importância a expansão do número de alérgenos purificados no diagnóstico e no tratamento de alergias, evitando, por exemplo, restrições dietéticas desnecessárias.

“Nesse sentido, meu trabalho de doutorado visa a descoberta de novos alérgenos de abacaxi, mamão, manga e mandioca para que esses sejam produzidos através da técnica do DNA recombinante, e empregados em testes diagnósticos. A quantidade de alérgenos já descritos para esses quatro alimentos é bastante escassa, daí a importância de aumentá-la.”


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