Corantes naturais também podem provocar reações

Urucum, açafrão e cochonilha são alguns aditivos associados a reações alérgicas, de acordo com a literatura científica.

Séries especiais

Ao contrário do que se imagina, não são somente os corantes sintéticos que podem provocar reações em quem os ingere. Os naturais também podem estar associados ao surgimento de diversas respostas adversas do organismo, que podem ir de alergias (em pessoas especialmente sensíveis às substâncias utilizadas) até, em raros casos, choque anafilático. Mas há ainda muita controvérsia sobre as reações aos corantes (tanto naturais quanto sintéticos). 

De acordo com um artigo de revisão publicado em 2011, entre os corantes naturais mais citados pela literatura científica como possíveis causadores de reações estão o urucum (anato), o açafrão e o carmim. O anato é um pigmento amarelo natural extraído das sementes da árvore tropical Bixa orellana e tem sido associado a casos de reação anafilática, urticária ou angioedema (alergia bastante confundida com a urticária, que provoca inchaços e vergões na pele). O carmim é um corante vermelho, proveniente do inseto Dactylopius coccus (conhecido vulgarmente como Cochonilha), utilizado em cosméticos, alimentos e bebidas. Está relacionado a casos de anafilaxia, asma ocupacional e reações dermatológicas. O açafrão, extraído dos estigmas das flores de Crocus sativus, parece ser o menos "nocivo", mas há casos relatados de hipersensibilidade e até um caso de anafilaxia (Aun et al., 2011). Cabe lembrar que muitos dos estudos sobre reações adversas com corantes tratam-se de relatos de casos individuais e não de estudo com populações; e os mecanismos fisiopatológicos envolvidos nessas reações não estão bem estabelecidos.

Já entre os sintéticos, parece haver consenso de que a tartrazina é o maior causador de respostas adversas. Trata-se de um pigmento sintético, solúvel na água, que proporciona a cor amarelo-limão. Seu uso mais frequente se dá em condimentos (bala, goma de mascar, gelatina), como também em cosméticos e medicamentos. Tanto que, quando a tartrazina está presente na lista de ingredientes de qualquer produto alimentício, seu nome deve ser declarado por extenso, ou seja: ele não pode ser identificado apenas pelo código INS.

De acordo com estudos recentes, a tartrazina está relacionada à ocorrência de urticária, angioedema, ao agravamento da dermatite atópica e também, possivelmente, de reatividade brônquica em crianças asmáticas. No entanto, seu papel nessas doenças ainda não é bem estabelecido. Estuda-se, ainda, uma possível reação cruzada em pacientes asmáticos sensíveis ao ácido acetilsalisílico (AAS).

Já a eritrosina é um corante derivado do iodo, que pode desencadear lesões cutâneas de fotossensibilidade, eritrodermia (inflamação na pele que provoca o surgimento de descamação e vermelhidão) e descamação.

Fonte: Marcelo V. Aun, Cynthia Mafra, Juliano C. Philippi, Jorge Kalil, Rosana C. Agondi, Antônio A. Motta. Aditivos em alimentos. Revista Brasileira de alergia e imunopatologia, Vol. 34. N° 5, 2011.

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