Brasil já produziu mais de 1 bilhão de toneladas de resíduos de abate de bovinos e suínos em 2017

Você sabia?

Por ser um grande produtor mundial de proteína animal, o Brasil, naturalmente, também é um gerador colossal de resíduos decorrentes dos abates nas indústrias da carne e do pescado. De acordo com estimativa feita pelo pesquisador Daniel López Angulo a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Cetesb, o país produziu, no primeiro trimestre de 2017, aproximadamente 1,120 bilhão de toneladas de material não comestível do abate de bovinos, e outras 188 mil toneladas de resíduos do abate de suínos (ver tabelas abaixo). López é pós-doutorando em Ciência dos Alimentos na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, orientado pelo professor Paulo José do Amaral Sobral.

“Se esses resíduos e subprodutos não forem processados e destinados segundo as leis ambientais e sanitárias vigentes, sua capacidade de causar impactos ambientais é muito alta, já que eles contêm alta quantidade de gordura, sangue, conteúdo intestinal e fragmentos de tecidos dos animais. É pensando no aproveitamento desses resíduos e na diminuição de seu descarte que trabalhamos com os polímeros originados a partir do material não comestível de bois, suínos e peixes. Em nosso caso, interessam especificamente a gelatina e a quitosana.”

López estuda o aproveitamento da gelatina como base para a confecção de uma membrana para reparação da pele, e também na elaboração de filmes para recobrir e aumentar a vida útil de alimentos facilmente perecíveis. 

Para chegar aos números acima, o engenheiro de alimentos baseou-se no número de cabeças abatidas no primeiro trimestre de 2017, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e na estimativa, feita pela Cetesb em 2006, da porcentagem de material não comestível do peso dos animais, tanto bovinos quanto suínos (ver tabelas 1 e 2 abaixo). 

“A Cetesb estimou as porcentagens de aproveitamento de uma cabeça de gado de aproximadamente 400 quilos e de um suíno de aproximadamente 90 quilos. De acordo com essa estimativa, 38% do peso de um boi é material não comestível e passível de ser aproveitado por graxarias, que são as fábricas responsáveis pela coleta e reciclagem dos restos de animais gerados pelos abatedouros. Para um suíno, a porcentagem de material não comestível é de 20% do peso.” 

De posse dessas estimativas, ele calculou o peso das cabeças abatidas no primeiro trimestre de 2017 (multiplicando o número de cabeças de gado por 400 kg e o número de cabeças de suíno por 90 kg) e, então, aplicou as porcentagens (ver tabelas abaixo).

Segundo López, a indústria pesqueira também origina subprodutos e resíduos pela ineficiência do processo de conversão e reutilização. Esses resíduos são, na maioria das vezes, despejados diretamente em mares e rios, ou enterrados clandestinamente em aterros sanitários.

“Os resíduos e subprodutos oriundos dos abates da indústria de carne e de pescado representam uma quantidade significativa por ano e, portanto, seu reaproveitamento e sua utilização para diversos outros fins, inclusive pela comunidade científica, são extremamente interessantes, tanto do ponto de visto econômico quanto ambiental, pois podem colaborar para diminuir a quantidade de resíduos orgânicos liberados no ambiente.”

tabela bovinos gelatina


tabela suinos gelatina


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